De Origem à Inspiração: Minha Jornada pelo Equador com a República del Cacao

25 de maio de 2026

Por: Daniella Lea Rada – Chef Patissière Executiva no Signia by Hilton Atlanta e Chef Aliada República del Cacao

 

Existem momentos na carreira de um chef que mudam para sempre a forma como você vê um ingrediente. Recentemente, tive o privilégio de viajar ao Equador com a República del Cacao. O que começou como uma jornada para aprender mais sobre chocolate tornou-se uma lição mais profunda sobre pessoas, comunidade e as histórias por trás dos ingredientes que usamos todos os dias.

 

Antes desta viagem, o chocolate da República del Cacao era um produto excepcional em que eu confiava na minha cozinha. Depois de caminhar pelas montanhas de Cayambe, conhecer as mulheres de Puliza, ficar entre as árvores de cacau na Amazônia e testemunhar a transformação do grão ao chocolate, percebi que cada barra de chocolate carrega uma história muito maior do que o próprio ingrediente. Ao longo da jornada, uma mensagem ficou clara: um ótimo chocolate começa com ótimas pessoas.

 

Cacao Talks: Por que se tornar uma Empresa B? - 1
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2

Dia Um: Entendendo o Coração por Trás do Chocolate

Nosso primeiro dia começou perto da Linha do Equador, no Relógio de Sol de Quitsato, onde aprendemos como a geografia única do Equador cria condições ideais para a agricultura e a produção de cacau. A experiência mais marcante, no entanto, foi nossa visita à comunidade indígena de produtores de leite de Puliza. Essa comunidade liderada por mulheres fornece o leite utilizado no Chocolate Branco 31% da República del Cacao, o mesmo chocolate que mais tarde inspiraria minha sobremesa. Fomos recebidos com um tradicional Pambamesa, uma refeição em estilo familiar preparada com ingredientes cultivados pela própria comunidade. Compartilhar papa criolla, melloco, milho, queijo fresco e tortillas de tiesto me fez lembrar que algumas das refeições mais memoráveis se baseiam na simplicidade, na generosidade e na conexão. Também provamos os famosos bizcochos de Cayambe e aprendemos sobre o agave, uma planta que se desenvolve em condições adversas. Sua resiliência parecia simbólica das comunidades que conhecemos ao longo da viagem. Mais tarde, subimos às montanhas para observar de perto a produção leiteira. Visitamos a estufa da Sra. Lucrecia, aprendemos sobre programas de desenvolvimento comunitário e observamos o trabalho diário necessário para sustentar essas fazendas. Um dos destaques foi tentar ordenhar uma vaca ao lado da presidente da comunidade. Enquanto meus esforços renderam apenas um copinho de leite, ela quase encheu um balde inteiro.

O que mais me marcou não foi o processo em si, mas as pessoas por trás dele. Essas mulheres acordam antes do amanhecer, trabalham incansavelmente, sustentam suas famílias e investem no futuro de seus filhos. Ali, na encosta daquela montanha, percebi que o leite usado no chocolate branco da República del Cacao representa muito mais do que um ingrediente — representa oportunidade, resiliência e comunidade. Antes dessa viagem, o Chocolate Branco Equador 31% era simplesmente um produto que eu gostava de usar. Depois de conhecer as mulheres por trás dele, tornou-se uma história.

Dia Dois: Seguindo a Jornada do Cacau pela Amazônia

O segundo dia nos levou dos Andes à Amazônia equatoriana, onde seguimos o cacau até sua origem. Ao longo do caminho, paramos em um centro de coleta de cacau e observamos os processos de fermentação e secagem. Ver milhares de grãos de cacau sendo cuidadosamente transformados antes mesmo de chegar a uma fábrica me deu uma nova apreciação pelo artesanato necessário para produzir um ótimo chocolate. Também aprendemos sobre as iniciativas de Comércio Justo e seu impacto nas comunidades locais. Os produtores falaram sobre a importância da educação, oportunidade e preservação das tradições agrícolas para as gerações futuras. Um dos momentos mais memoráveis da viagem foi quando embarcamos em uma canoa e navegamos rio abaixo até a comunidade Mirador. A viagem pela floresta tropical nos incentivou a desacelerar e apreciar o ambiente ao nosso redor. A comunidade nos acolheu com uma refeição apresentando ingredientes locais e compartilhou demonstrações de artesanato tradicional feito com fibras naturais e corantes vegetais. Seu respeito pela terra e compromisso em preservar o conhecimento transmitido através das gerações foi inspirador.

Por fim, entramos na própria plantação de cacau. Para um chef confeiteiro, ver o cacau crescendo em seu ambiente natural foi uma sensação quase surreal. Ainda mais significativo foi descobrir que essa plantação produz o cacau utilizado no Chocolate Amargo Amazonia 75% da República del Cacao, um chocolate que usamos regularmente em nosso programa de confeitaria. Caminhar entre as árvores de cacau, cercadas por bananeiras, baunilha, canela, gengibre e inúmeras outras plantas, revelou a extraordinária biodiversidade da Amazônia. Provar o cacau fresco diretamente da vagem foi outra experiência inesquecível. A polpa doce que envolvia o grão era vibrante, tropical e completamente diferente do sabor que a maioria das pessoas associa ao chocolate.

Ao final do dia, entendi que cada barra de chocolate começa muito antes de chegar a uma fábrica. Começa com agricultores, ecossistemas e gerações de conhecimento.

Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que se tornar uma Empresa B? - 1
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2

 Dia Três: Do Grão ao Chocolate

Nosso terceiro dia nos levou à fábrica da República del Cacao em Quito, onde acompanhamos a jornada do cacau do grão ao chocolate acabado. Desde o momento em que chegamos, ficou claro que o maior trunfo da empresa são suas pessoas. O orgulho, a paixão e o empenho demonstrados por todos os funcionários refletiam os mesmos valores que havíamos testemunhado nas comunidades de laticínios e cacau. Observamos todo o processo de produção – desde o recebimento e torra dos grãos de cacau até o refino, conchagem, temperagem e embalagem. Embora a tecnologia fosse impressionante, o que mais se destacou foi a expertise por trás de cada etapa. A qualidade não é alcançada apenas com máquinas; é alcançada com pessoas que se importam profundamente com seu ofício. Um detalhe que me impressionou particularmente foi o compromisso da empresa em minimizar o desperdício e maximizar o valor de cada grão de cacau. Após conhecer a fábrica, desfrutamos de uma degustação de doces preparada pela Chef Confeiteira Corporativa Andrea e passamos um tempo aprendendo mais sobre a missão da República del Cacao com a CEO Paulina e a equipe de liderança. Até este ponto da viagem, um tema comum havia emergido. Seja conversando com produtores de laticínios, produtores de cacau ou funcionários da fábrica, todos compartilhavam o mesmo senso de orgulho e responsabilidade. A República del Cacao não está simplesmente produzindo chocolate – está preservando tradições, apoiando comunidades e criando oportunidades. Esse, para mim, é o verdadeiro segredo por trás da marca. O dia terminou com uma bela refeição na Casa de Tilo, onde os Chefs Max e Cécile nos receberam em sua casa. Cercados por jardins, comida maravilhosa, música e conversa, foi mais um lembrete de que hospitalidade e conexão estão no coração da cultura equatoriana.

Dia Quatro: Transformando Inspiração em Sobremesa

Nosso último dia em Quito nos deu tempo para refletir sobre tudo o que havíamos vivenciado. Enquanto caminhava pela cidade, lembranças dos dias anteriores voltavam à minha mente: as mulheres de Puliza descendo a montanha carregando leite, o passeio de canoa pela Amazônia, as árvoreteiras de cacau crescendo sob o dossel da floresta tropical e os funcionários compartilhando com orgulho seu trabalho na fábrica.

A essa altura, eu sabia exatamente o que queria que minha sobremesa representasse. No centro da criação estava o do República del Cacao Chocolate Branco do Equador 31%. Depois de visitar Puliza, seu sabor ganhou um novo significado. Cada garfada me lembrava das montanhas, da comunidade e das mulheres cuja dedicação tornou tudo isso possível. A Amazônia também desempenhou um papel significativo no desenvolvimento da sobremesa. Notas cítricas vibrantes, aromas frescos e a incrível biodiversidade da região inspiraram sabores que trouxeram frescor e energia à criação final. As próprias paisagens influenciaram a apresentação e a base emocional da sobremesa. Trabalhar ao lado do Chef Patissier Corporativo Andréia foi uma das maiores honras da viagem. Juntos, traduzimos memórias em sabores e experiências em uma história contada através da sobremesa. Cada componente se tornou um reflexo de um lugar, uma pessoa ou um momento da jornada.

Ao embarcar no meu voo de volta para Atlanta, eu carregava muito mais do que inspiração para uma nova receita. Eu carregava memórias das mulheres de Puliza, a beleza das montanhas de Cayambe, os sons da floresta amazônica e as histórias das pessoas que dedicam suas vidas à produção e transformação deste ingrediente extraordinário. Esta jornada aprofundou meu respeito não apenas pelo cacau, mas por cada pessoa cujas mãos tocam o processo — de agricultores e produtores a artesãos, comunidades e funcionários de fábricas. Como chefs, muitas vezes nos concentramos no que criamos. Essa experiência me lembrou de honrar também de onde vêm nossos ingredientes e as pessoas por trás deles. Antes do Equador, o chocolate era um ingrediente com o qual eu adorava trabalhar. Depois do Equador, ele se tornou uma história. E por trás de toda grande história existem pessoas extraordinárias. Por isso, serei sempre grato.

Por: Daniella Lea Rada

Acompanhe o trabalho dela em: @daniella.learada

 

Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que ser uma Empresa B? - 2
Cacao Talks: Por que se tornar uma Empresa B? - 1