Cacao Talk: Identidade Culinária – Desafios para Descobri-la e Mantê-la
Na República del Cacao, acreditamos que a conversa é um dos ingredientes mais poderosos para compartilhar conhecimento e experiências com a nossa comunidade. Por isso, criamos o Cacao Talks, um espaço onde vozes diversas se cruzam, dialogam e a inspiração se desenvolve.
Nesta primeira edição de 2025, abordamos um tema essencial para todo chef, amante da gastronomia ou profissional que busca seu próprio caminho: a identidade culinária.
Nossa boutique em La Floresta tornou-se o cenário ideal para essa troca de ideias e experiências, reunindo nossa comunidade com figuras de destaque da indústria gastronômica, chefs aliados, representantes acadêmicos e outros atores-chave do setor. Para explorar esse tema, convidamos três chefs equatorianos que, de diferentes origens, compartilham uma busca comum: uma culinária honesta, técnica e profundamente pessoal.
- Camila Medina: Uma jovem confeiteira apaixonada que transforma o aprendizado constante em uma abordagem pessoal e contemporânea. Em 2023, ela abriu o Bite Lab, um projeto que se destaca pela técnica, autenticidade e abordagem não convencional.
- Pachi Larrea: confeiteiro e chocolatier equatoriano. Sua técnica, sensibilidade e visão o levaram a ensinar e criar em cinco continentes. Em 2024, sua Torta Amazônia, feita com chocolate equatoriano da República del Cacao, foi premiada como a melhor do mundo.
- Quique Sempere: Ele trouxe sua culinária e carisma para a América Latina. Com uma visão global e profundo respeito pelos ingredientes, ele conecta culturas por meio de sabores, histórias e experiências.
Para iniciar o diálogo, propusemos olhar para trás, não apenas para o início, mas também para aquele momento decisivo em que algo mudou: uma intuição, uma ação inesperada, uma ruptura com a ordem estabelecida. Aquele primeiro passo que marcou um antes e um depois em sua jornada culinária.
Suas histórias mostraram como a identidade culinária começa a se formar muito antes do surgimento das certezas profissionais. Seja de uma intuição precoce, de uma decisão de vida indefinida ou de uma busca constante por expressar algo único, os três chefs concordaram que esse primeiro passo decorre de um impulso honesto e pessoal, e não de uma estratégia clara.
À medida que a conversa avançava, aprofundamo-nos nos desafios de construir uma identidade culinária autêntica. Eles discutiram os riscos, erros e dúvidas que marcaram sua evolução profissional. Concordaram que a intuição, a coragem e a busca por significado foram ferramentas fundamentais para tomar decisões difíceis, mas transformadoras.
De perdas financeiras à inserção em ambientes de trabalho desafiadores, eles confiaram em uma ideia, às vezes ainda vaga, mas profundamente sentida. Suas jornadas demonstram que a ação muitas vezes precede a clareza, e que a identidade se revela ao longo do caminho, não antes.
Um dos pontos mais impactantes da discussão foi o desafio de manter essa identidade enquanto o mundo e a indústria estão em constante transformação. Eles nos falaram sobre seus valores inegociáveis: valores, princípios e abordagens que não estão dispostos a abrir mão, mesmo diante de novas culturas, mercados ou propostas.
Para eles, a chave é evoluir sem diluir a essência, manter uma visão autêntica que perdure ao longo do tempo, além das exigências de adaptação ao ambiente. Permanecer fiéis a si mesmos, sem sacrificar a excelência.
Essa conversa revelou que a identidade culinária é uma jornada repleta de aprendizado, decisões e paixão, um processo vivo refletido em cada prato e em cada história pessoal.
O dia foi encerrado com um espaço de networking e bate-papo, onde os participantes compartilharam impressões, trocaram ideias e se aprofundaram nas histórias contadas pelos chefs. Foi um encerramento íntimo e enriquecedor para uma manhã de inspiração coletiva.